Expedição Galo Pedal III - Curitiba-Floripa - Fevereiro de 2014

Após uma temporada, outra Expedição Galo Pedal vai sair!!! Após percorrer o Nordeste e Centro-Oeste, desbravaremos os meandros das praias e paisagens Sulinas entre Curitiba e Floripa. Tentaremos manter o máximo de atualização no blog, na medida que as localidades e o nosso espírito de isolamento permitir!!

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Diário de bordo (4º dia): Faz. Alegria - Faz. Nhumirim

Diário de bordo feito pelo celular: Hoje o dia começou ainda escuro com um leite da hora no curral.

 O amanhecer com as aves alvoroçadas. Araras e ... Logo o sino toca e a gente é chamado para o "quebra torto", o desjejum do pantaneiro.

Hoje tinha farofa com carne, arroz, bolinho de chuva e queijo, regados a café e chá de mate, tudo preparado pela Dona Lourdes, a proprietária do cômodo cozinha (lá ninguém passa da porta além dela).


O papo com o Seu Luis e seu Severiano rendeu novamente. Falamos sobre o uso de cavalo no pantanal e as qualidades do cavalo pantaneiro. O papo seguiu pela fazenda até eles terminarem de arreiar os cavalos para sair ao trabalho diário. Nós aproveitamos a manha bonita para darmos uma volta na baia em frente a fazenda e ver alguns animais.





Logo em seguida, o Seu Armindo, da Fazenda Nhumirim, apareceu para vir buscar a gente. Terminamos de arrumar as coisas e saímos na Toyota pela estrada tão temida. Seria mesmo bem complicado tentar percorrer todo esse trecho de bicicleta. Dava, maaas, dias e bastante energia seriam gastos.



Chegamos na fazenda no meio da manhã e fomos recebidos pelo Cleomar, que foi super atencioso, nos mostrou as instalações e combinou um passeio pela fazenda a tarde. Quem nos acompanharia seria o seu Henrique. Após o sino, fomos participar do almoço no refeitório (como forma de pagar a nossa estadia, fizemos uma compra de alimentos para a fazenda na segunda, que tinha sido trazida na terça pelos pessoal). A criançada da escola também manda o pratão. Após o horario de almoço, embarcamos com o sr. Henrique para uma volta na fazenda.

Conhecemos o animais da fazenda (gado e cavalo pantaneiro) e algumas paisagens (salinas, reserva, rio). Nesse tempo todo, saíram também boas prosas com o pessoal nativo e da pesquisa que estão aqui na fazenda.





O nosso passeio terminou já no fim da tarde, cinco e pouco, foi o tempo de chegar, tomar um banho e o sino tocou novamente. Jantamos e agora estou aqui, tentando postar algo no blog! Mais uma vez muito obrigado a todos que estão nos ajudando aqui! Bjos boa noite!

Diário de bordo (3º dia): Porto da Manga - Fazenda Alegria

Diário de bordo feito pelo celular: Hoje, definitivamente, entramos no pantanal. Acordamos as 5h, tomamos café e desarmamos acampamento.

Mas só conseguimos sair do Porto da Manga as sete. Ou seja, depois das sete e meia saímos pedalando sentido curva do leque.

Pontes, vazantes e retas e mais retas. Ah, teve boiada e bezerro medroso também. Em duas horas estávamos chegando ao leque.

Conversamos com o famoso Qué Qué, dono da Borracharia/Depósito de sal/Lanchonete/etc da Curva do Leque. Ele contou o caso de um argentino que cruzou um trecho do pantanal com apenas um pedal na bike (pois o outro havia quebrado), e depois seguiu sentido Porto-Jofre pelo meio das fazendas (na época seca!). Fato considerado loucura! Nenhuma notícia do argentino retornou (por enquanto).

Tomamos uma tubaina e mandamos uma batata-chip pra dentro, carregamos a água e fomos encarar o trecho tão temido. De fato, é de se temer! Muita, muita, e mais um pouco de areia. Por sorte, choveu recentemente e estava um pouco batida, o que permitiu a pedalar mais do quê eu previa. Mas, apenas com o pneu vazio até no osso e a marcha mais leve. Sem parar de girar o pedal e bem atento na direção, conseguia andar menos de 500m sem parar. Desse jeito, deu pra manter uma média de 6-7 km/h enquanto andava, o que, com as paradas de descanso, dava uma média de 5km/h na prática. Saímos as 10h do leque; as 13 nós tínhamos andado apenas 15 km. Faltava mais 15 pra Faz. Alegria. Se mantivermos o mesmo ritmo (pouco provável devido ao cansaço), gastaríamos mais 3 horas e chegaríamos na fazendas as 16h.
Sentamos pra comer e foi cogitada a hipótese de pedir carona ao próximo caminhão que passasse (já tinham passado 2 por nós). Eu nao queria desistir, queria tentar, pelo menos, cumprir mais este trecho de 15 km. A hipótese se tornou realidade: um caminhão de gado (vazio) da Fazenda Ipanema parou e o motorista, que se chamava Marcos, disse: "Vocês são loucos?? Eu to vindo vendo o rastro docês. Pra onde vocês vão? Querem carona?"

Eu fui voto vencido e montamos as bikes na carroceria como três bezerros sendo levados do Pantanal pra engordar. Os dois companheiros foram no lugar destinado os bois, junto das bicicletas, e eu na cabine trocando idéia com o xará. Ele veio contando altos casos de coisas que ele já viu na estrada (onças, cobras comendo bezerro, etc). E das boiada que tem que levar do pantanal para as outras fazendas do patrão (para este ano, seriam 750 cabeças levadas de 30 em 30, num ritmo de 2 carradas por semana. Quanto tempo dá?).


Chegamos na entrada da Fazenda Alegria e ainda tivemos que pedar 900m de areia até a sede. Falamos com uma moça que nos atendeu. Falamos que estávamos vindo do Qué Qué, onde encontramos o Seu Carlinhos (suposto gerente da fazenda) que disse ter avisado da nossa estada em alegria esta noite. Ela, que era a cozinheira da fazenda, foi um pouco desconfiada e tentou telefonar para os encarregados. Apesar de não conseguir, deixou a gente entrar e foi se abrindo ao longo de uns minutos: fez um café, nos convidou, e pudemos provar do queijo da fazenda. Conhecemos Seu Severiano, um peão de 77 anos e uma vida toda de Pantanal. Deu aula de Pantanal, fazenda e lida do gado pra gente. Aproveitamos o fim da tarde agradável pra passear um pouco na fazenda.

Quando nos demos conta, antes do encarregado/gerente Sr. Luís Otávio chegar, já estávamos jantando com o pessoal da fazenda, pós o sino chamativo. Novamente tivemos uma boa conversa com Seu Severiano. Após o jantar Sr. Luís Otábio, que sabia que vínhamos, chegou e nos chamou pra conversa. Nascido e criado no pantanal, nos brindou com boas histórias de suas andanças pelo pantanal (já veio sozinho de Cuiabá pra o Pantanal da Nhecolândia, percorrendo várias regiões do Pantanal no lombo de um cavalo, e com uma tropa de dois burros e um cachorro; projeto chamado "Cavalgando Pelo Pantanal - A Rota Pioneira") Depois do papo, que envolveu muitos assuntos relacionados ao pantanal (pesquisa e sua integração com a fazenda, onça e ataques, etc) deixamos o Sr. descansar. Ele havia chegado a pouco da lida em um retiro da fazenda (retiro são "bases" que as fazendas mantêm em áreas isoladas - por ser tão grande, apenas uma sede não é suficiente para manter a logística da lida de gado na fazenda), e nem jantado ainda. Fomos dormir baixo o sereno frio e o ceu estrelado da Fazenda Alegria. Clichê ou não: Foi só Alegria!!(rs).
 Fotos (bernardo)

Diario de bordo (2º dia): Corumbá-Porto da Manga

Diário de bordo feito pelo celular. Estamos no porto da manga (PM), dormindo acampado na beira do rio paraguai onde tem uma comunidade de pescadores de isca, um hotel, balsa e barqueiros. Saímos as 7 do Hotel Farias em corumbá. Não tardamos a chegar na saída da cidade, onde pegamos o asfalto.
 

 Mais 10km e pegamos a estrada parque a esquerda. Seguimos a estrada parque (de terra em boas condições) até começar a subir serra do Maciço do Urucum, antes de entrar na planície pantaneira. 10h já estavamos no topo. Depois da descida gostosa e perigosa (por conta do cascalho) seguimos por longas retas planas divididas por pontes sobre vazantes, onde sempre paramos para tirar fotos e curtir a paisagem.



Jacaré, capivara, emas e muitas aves (além de um cachorro do mato atropelado) foi oq vimos hj. Paramos em uma fazenda a 11km de Porto da Manga para descansar e pedir água. Nos rendeu uma boa prosa com um velho pantaneiro e um peão de lida não tão velho. O Sr. nos explicou como os pernilongos daqui não gostam tanto do sangue pantaneiro, mas apreciam muito o sangue novo dos turistas. De fato, a cada parada na estrada era um inferno de pernilongo, a ponto de sairmos correndo e eles virem grudados aos montes nas costas, sobre a blusa!!


Depois de meia hora de prosa, seguimos até Porto da Manga no solão de meio dia. Chegamos 13h cansados e famintos (69km marcavam o odômetro - 9 foram ontem). Almoçamos na dona eliane/dirce, que nos serviu panela de arroz, feijão, bife e tomate. Comida caseira muito boa (15$). Durante a siesta decidimos ficar aqui por hoje. E descansar pra sair cedinho amanhã rumo a curva do leque e Fazenda Alegria. Acampamos ao lado da base da balsa, após conversar com o pessoal daqui, sem problemas.

 



Banho de rio paraguai com direito a shampoo no suvaco. Terminamos no boteco tomando poucas latinas e jantando nosso pão com salame. Agora vamos dormir ao som do pessoal destrinchando um porco monteiro aqui do lado, recém morto em uma fazenda próxima. Boa noite.




segunda-feira, 15 de abril de 2013

CG-Corumbá

Ontem chegamos a campo grande a noite e fomos recebidos pelo marcelo, meu colega que tá no doutorado da ufmg e eh daqui de CG. Ele nos deixou no hostel. Após noite com pulgas, Hoje saímos cedo de lá para a rodoviaria. Chegamos em cima da hora de pegar o primeiro busao pra corumbá. Chegamos a corumbá e fomos direto para a embrapa. Fomos muito bem recebidos pelo sr. Marcos tadeu, que eh o responsável pelos campos experimentais da embrapa pantanal (incluindo a faz. Nhumirim - que pretendemos visitar) e pela raquel, jornalista da embrapa pantanal. Em meio a entrevista, troca de experiências, compra de suprimentos e acertamento dos detalhes da nossa ida à faz. Nhumirim, passamos a tarde com ela e com o sr. Armindo, motorista da toyota mais bruta do pedaço. No fim do dia, a raquel nos levou ao porto da cidade, no rio paraguai, de frente à bolívia e a um por do sol fascinante seguido de um filé de pintado e duas brahma. Voltamos ao hotel, ajeitamos as talhas e deixamos tudo pronto pra amanhã. Sair cedo novamente pra tentar chegar no porto da manga, ou quem sabe na curva do leque (aaaaaah lek lek lek lek lek).... Agradecemos enormemente ao apoio de todos que estão ajudando!!!! Valeu mesmo!!! Fotos (bernardo e douglas):

sexta-feira, 12 de abril de 2013

O Trajeto!


Bem, queria começar este post indicando um post anterior, da Galo Pedal I, que foi um texto retirado do site do Clube do Cicloturismo que é bem conveniente para o momento. Click aqui e leia: CONVENCENDO PARENTES E AMIGOS QUE VOCÊ NÃO ESTÁ LOUCO.

 Vamos lá: O Trajeto!

Como disse em outro post,Quando enviei email para amigos convidando para essa viagem, iniciou-se uma pequena discussão com os interessados/animantes. Estavam ativos na discussão o nosso amigo Goiás (que é mestre, doutor e pós-doutor em Pantanal), o Túlio (mestre, doutor e pós-doutor em locomoção em bicicleta) e o Bernardo (mestre, doutor e pós-doutor em filosofia quântica da australobiedades idiomáticas).

Eu tinha proposto o seguinte caminho inicialmente: Campo grande - Bonito - Bodoquena (serra) - Miranda - Corumbá (passando pela Estrada Parque Pantanal). Mas, o senhor Goiás, que conhece a região com a palma da mão, entrou logo na conversa e propôs um novo roteiro, que seria a partir de Miranda retornar para Aquidauana, embrenhando bem antes no Pantanal. Seguramente esse caminho possibilitaria conhecer áreas bem isoladas e avistar muitos animais e paisagens únicas. Porém, a estrada – se é que assim se pode chamar – é de pura areia!
Despois de tantas discussões e pesquisas por caminhos e pessoas que já atravessaram (ou tentaram) o pantanal de bicicleta, vimos que o caminho proposto pelo Goiás (Aquidauana – Corumbá) era um muito longo para ser percorrido em duas rodas com o tempo que tínhamos (e com as condições da estradas citadas acima. Seriam longos trechos de push-bike pela areia fofa, o que não é nada agradável e rende pouquíssima quilometragem.

Após articulações internas do grupo que (verdadeiramente) estava confirmado para viagem (eu e bernardo)(obs.: o Goiás passou no pós-pós-doutorado pra estudar um pouco mais o pantanal, tendo sido, por esse motivo, obrigado a abortar a missão), decidimos que esse caminho era inviável, levando em consideracao o tempo que tínhamos e as outras atrações que queríamos conhecer. Decidimos então começar a viagem pelo Pantanal, deixando Bonito por último (finalizar de patrão nos balneários de água límpida). Para o Pantanal, decidimos ter como trajeto principal a Estrada Parque Pantanal (que é estradão de terra, e não areia) e talvez, sair um pouco dela pra embrenhar/enfrentar/arriscar o areião e um Pantanal um pouco mais remoto! Nesse meio tempo, surgiu a ideia de tentar conhecer a Fazenda Nhumirim (da Embrapa Pantanal), que fica a aproximadamente 60 km da estrada parque. A proposta teve uma boa aceitação do nosso consultor externo Dr. Goiás, e o planejamento inicial (Plano A) foi definido em reunião extraordinária do grupo! Sairíamos de Campo Grande pra Corumbá de ônibus e iniciaríamos a cicloviagem de Corumbá. Com o seguinte rota:
Corumbá - Faz. Nhumirim (pela estrada parque e pegando um pedaço além dela)
Faz. Nhumirim - Miranda (retornando para estrada parque e seguindo o asfalto)
Miranda - Bodoquena (pelo asfalto)
Bodoquena - Morraria do sul (subindo a serra)
Morraria do sul - Bonito (atravessando a serra sentido sul, e depois descendo a serra).

Devido à quilometragem, alguns trechos poderíam ser feitos em ônibus ou carona, para agilizar.

Só faltava o contato na Embrapa Pantanal para confirmar a nossa visita e ver os detalhes. Esse contato foi realizado formalmente (via chefias) e, felizmente, a proposta foi muito bem recebida. O Gestor da Faz. Nhumirim se mostrou muito solícito, disponibilizando todo o apoio que ele poderia para a aventura! Bem como se comprometeu a apresentar-nos toda a estrutura (e paisagens) da fazenda, bem como os trabalhos realizados nela. Ótimo, o nosso Plano A está definido!!

MAPA (se tudo ocorrer como planejado – o odômetro marcará em torno de 500km ao final)


Possivelmente, na primeira parte da viagem não teremos acesso fácil a internet (quiçá a telefone), o que irá deixar esse blog as traças e as pessoas na expectativa (assim a gente espera). Mas, sempre que possível tentaremos postar alguma coisinha ilustrativa!

SIGAM-ME OS BONS!!! 

quinta-feira, 11 de abril de 2013

A bike!

Hoje foi falar de dois temas importantíssimos para a viagem: a Bike e o Caminho (Plano A!)

Bike
Bem, desde que eu vendi La Poderosa (a bike que usei na Galo Pedal I) para o Ruiz eu fiquei com a  Dahon (a dobrável) e com a Caloi 10 (a idosa). Apesar de poder ser utilizada para viagens (na Europa), a Dahon é basicamente uma bicicleta urbana, não é recomendável utilizá-la em trechos off-road. Muito menos a Caloi 10. Sendo assim, teria que comprar/montar outra!

O desafio era então montar uma bicicleta, preferencialmente, adequada para cicloturismo e - o mais importante- adequada para o meu tamanho (chega de quadro 18!). Em pesquisas na internet descobri que os amantes do ciclotur amam muito o tal do quadro Cromoly. Quê isso? (Diabeísso mah?) Aço Cromo-molibidênio (resumido a Cromoly) é um material que foi muito utilizado para fabricar bicicletas, em substituição ao ferro e aço, na decada de 90 (antes do alumínio). Aquelas primeiras Bikes Treck, Mongoose, antigas que surgiram quando eu era menino, e era desejada por quem gostava das bici. Esse quadro é tão cobiçado pois é relativamente leve, confortável (absorve muito mais impacto que o alumínio que, por sua vez, manda tudo pra poupança do sujeito), e aceita solda normal (ou seja, pode ser consertado em qualquer oficinazinha de fundo de quintal do fundo do interior do fundo do Brasil). O difícil era achar pra comprar, ainda mais tamanho 21! Além disso, se achesse só o quadro teria que montar todo o resto.

Após tempos e tempos de procura, e quase desistindo e já procurando opções de MontainBikes de alumínio, encontrei um vendedor no Mercado Livre vendendo uma Cignal Zamzibar em Cromoly tamanho 21! "Puuuuuutz... né pussive!!!" eu disse. Mas de onde surgiu essa marca?? Será que essa  bike é boa? Pesquisei mais um pouquinho e descobri que a marca era americana, fabricou boas bikes nos anos noventa mas, por um motivo que eu nao encontrei, fechou as portas e nunca mais ouviu-se falar nessa fábrica. Porém, os comentarios e preço na net (bikepedia) eram bons. E o preço que estava no Mercado livre era menos do que eu pretendia gastar, por uma bike toda original e montadinha!!
Comprar ou não comprar???
Comprar ou não comprar???
Comprar ou não comprar???
Compreeeeiii!! (like rolando lero!)

A bike chegando eu precisaria botar o bagageiro, ajustar mais uns detalhes e viajar. Foi um milagre!!
Depois que ela chegou eu montei e fiz o test-drive, quer dizer, test-cycling. Aprovada!! Só precisaria levantar o guidão (pra ficar mais ereto), trocar o banco (por um mais confortável) e colocar o bagageiro (que logo fiz - tive que dar uma desempenada que ele tem desde que aquela strada me derrubou na Antônio Carlos... tirando isso, ele caiu como uma luva no quadro!!!! Esses fabricantes de bike de hoje esquecem do buraco no quadro para bagageiro, coisa que antigamente não acontecia. Ponto pro quadro Cromoly).

Já que a bike era pra ciclotur, bora tentar colocar um guidão também amado pelos Cicloturistas: o guidão borboleta. Mas e pra achar isso no Brasil? Quase impossível. Mas o Mercado Livre me salvou denovo. Achei um sujeito de Santa Cataria com 2 unidades de um gidão borboleta. O preço num era lá essas coisas, mas, era o que tinha... pisou na merda abre os dedos! Manda pra cá! Mais uns dias de espera, e chegou o butterfly handbar!
Por que esse tipo de guidão é amado por cicloturistas? Dois motivos principais: ele tem 3 posições de pegada (a troca de posição alivia quando se pedala muito tempo) e tem uma área maior para colocar apetrechos (bolsa, retrovisor, farol, ciclocomputador, gps, etc). Agora era só instalar. Mas, eu precisaria trocar a mesa pra levantar ele mais ainda. Por sorte encontrei uma de angulo ajustável até 90º (o que é meio raro). Isso permitiria levantar o guidão lá no altão (pro altão do Marquito!)
Umas 3 idas à oficina e um dinheirinho a menos na carteira: guidão instalado!
O selin eu coloquei o da Dahon, que é confortável e eu estava acostumado já. Só que tive que trocar o canote (menos $$).
Troquei os pneus de cravo por um misto (bom pra terra e asfalto), comprei alguns acessórios e...
Pronto, bike para ciclotur montada! Acho que dei muita sorte e consegui montar o que eu queria! O orçamento gasto? Não fiz as contas ainda, mas vou fazê-lo agora!

Bike - 870 (com frete)
Guidão - 189
Mesa - 96
Canote - 45
Pneus - 72 (o par)
Mão de obra - 40
Total bike - 1267

Acessórios que já precisava novamente:
Bolsa de guidão - 96
Ciclocomputador(Velocímetro) - 45
Caramanhola e suporte - 25
Kit de Luzes - 100
Bomba - 80_________
Total de acessórios: 346

Total total gasto nos últimos tempos = 1658 reais. (achei que ia gastar mais!!!)

Um acessório interessante, eu procurei pra comprar, mas não achei, resolvi fazer. Usando a criatividade, fiz uns para-lamas com material reciclável (resto de recipiente de desinfetante/amaciante). Já foram testados e funcionaram muito bem.



Por fim, mas não menos importante, o Bernardo deu um apelido para minha bike em homenagem ao Maranhão e eu vou aceitá-lo. Apresento a vocês, a MARANGRELA!! pronta pro ataque!

obs: o para-lama dianteiro eu tirei para o transporte no avião, mas vai voltar!

Agora é só pegar o avião o busão e depois, finalmente, a estrada!!! (e a areia - putz, essa parte atormenta!)

Agora vou falar do percurso: putz, ficou longo! farei outro post!

quarta-feira, 10 de abril de 2013

O RETORNO!

Estamos de volta e ninguém nos segura!!!

Como tudo recomeçou:
Desde a Expedição Galo Pedal I, que ocorreu no final de 2009, entre Maceió e João Pessoa, que contou com a participação: minha, então estudante de mestrado da Botânica UFMG, BeLeopoldo, então um atoa por completo (mentira, só num lembro o que ele fazia) e Maurício `in`Fidelis, então trabalhava num sei onde com num sei o que. 
Muitas águas passaram embaixo da ponte (e de pinguelas, viadutos, etc) durante esses 3 anos que se passaram, e sempre eu pensando em fazer outra viagem longa de bike! Fiz algumas curtas (1-3)dias, mas nada além disso. 
Mudei pra São Luis, trouxe a bicicleta e namorada (hoje esposa) junto e trabalhei um ano pra poder ter as merecidas férias (isso todo mundo já sabe). Só que, como a Cris não é (ainda! estou trabalhando pra isso) adepta totalmente ao meio de transporte a tração humana mais utilizado no mundo (a bike), meus planejamentos de férias estavam longe de realizar o desejo de uma nova cicloviagem. Maaaas, (in)felizmente (a utilização do "in"depende do contexto) ela arrumou um emprego quase que no momento de eu poder tirar as minhas primeiras férias! Conseguimos fazer uma viagem juntos no fim de ano mas sobrou muitos dias das férias para eu utilizar sem ela. Aí eu pensei: tenho que aproveitar e programar uma viagem "roots", do estilo que eu sei que ela não animaria (por enquanto!), era a oportunidade de pra programar a segunda Galo Pedal!
A partir daí, lista-se os primeiros coisas pra resolver: 
1 - arrumar uma bike (la poderosa foi vendida ao ruiz e não sei por onde anda, espero que esteja percorrendo as ruas e avenidas de Siena - Itália).
2 - definir o local
3 - arrumar companhia
4 - definir data


Resolução:
1 - Tema para o próximo post (teremos um post para cada membro descrever a história da sua máquina!).
2 - Após tanto pensar, matutar com meus miolos (meu cachorro), decidi que o Pantanal e Bonito poderiam ser uma boa pedida. O Luciano Magaiver (que conheci na viagem de fim de ano) tinha acabado de vir de lá e me passou várias dicas, o que me animou mais ainda. Pesquisei sozinho e fiz um plano de viagem algo que me ajudaria a resolver o número 3 da lista.
3- Enviei o plano para todos os amigos que "tem o perfil de talvez quem sabe animar" e esperei a respostas pelos emails. E vieram. Interessantemente, o BeLeopoldo estava com férias marcadas e foi um dos que mais animaram. Dentre outros também animados, começaram a troca de emails para discussão de roteiro. Infelizmente, dos animados dos emails, ficou só o Bernardo mesmo. O Douglas, que trabalha com o Bernardo, animou e entrou nas discussões quando já haviam datas (e passagens definidas). 
4 - Houve discussão para definir data, e no final das contas 2 empresas fizeram com que fosse batido o martelo: a empresa do bernardo e a gol! Ele estava com férias marcadas, irremarcáveis; e a gol fez uma promoção de milhas pra mês das férias dele. Resultado: remarquei minhas férias e compramos passagens para campo grande (14-30 de abril).

o resto é detalhe!

E os próximos detalhes eu tentarei postar amanha. Hoje tenho que começar a arrumar a mala!

VAMOS COM A GENTE GALERA! 

GALO PEDAL II - PantaNOW is GALO!

Bom!

Depois de um longo tempo, nosso Blog um dia tinha que voltar à ativa! E nada melhor do que fazê-lo em 2013, no ano do Galo, dos 100 anos de existência do Clube Atlético Mineiro (Antes de 1913 ele chamava Athlético Mineiro Football Club).

E para celebrar o ano e as vitórias que o Galo tem nos dado de presente, nada melhor do que fazer o que mais gostamos de fazer: coisas legais!! ...Neste caso: Viajar, pedalar, conhecer lugares e pessoas e levar o nome do glorioso pro Brasil afora!. Tudo junto de uma vez só!

Desta vez o cenário escolhido para a Expedição GALO PEDAL II foi bem diferente, porém, não menos atraente: o Pantanal Sul-matogrossense! Homenagem ao nosso grande amigo Goiás! E às demais espécies que habitat este bioma tão fantástico e ainda "inexplorado" (no bom sentido) por nós!

Bom...A idéia começou a brotar quando Marquito e Eu conversávamos sobre fazer uma nova viagem de Bike. A princípio seria pela praia de novo, lá pros lados do MaranhÃ! Mas ai conversa vai e vem e o Marquito deu a ideia de ser no Pantanal!! Animal totei!! Beleza!

Convidamos todos nosso ilustres amigos pedaleiros, inclusive nosso velho conhecido Kid Nhanhá! Tô zuando...O Juninho (Maurício Fidelis)!! Lembran-se dele na GALO PEDAL I??? Sofreu um acidente durante a expedição e teve que nos deixar fisicamente!! Porém, acredito que, assim como pra gente, a expedição já deixou aprendizados e experiências marcantes! Tanto que o cara deixou sde ser o "gordinho que tá vindo atras" pra se tornar um grande triatléta em São Paulo!! Porém, infelizmente, ele não estará ao nosso lado na Galo PEdal II, por motivos de força maior!! Ou felizmente, pq ia ser difícil acompanhá-lo!hehe

Mas enfim...No fim acabou sobrando eu e Marquito mesmo e, mais ou menos nos 35 do segundo tempo, ganhamos um reforço, também de peso!

Douglas Romário é o nome dele! Apesar de ser do lado não negro da força, ou seja, do lado azul, ele foi aceito receptivamente pela nossa equipe tão acolhedora, após a confirmação de que a "Caranbike" é legitimamente alvinegra (vide foto que será mostrada ainda!! eu espero...).

Equipe formada. Bora pra próxima e difícil etapa do Planejamento a distância (Marquito morando no MA e nois daki de MG).

...

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

10º dia - Nova Cruz - Pitimbu

As quatro da matina acordamos para organizar as tralhas pois o Fá iria passar as quatro e meia pra levar a gente até a Ilha. Ele apareceu no horário e já estava amanhecendo. Ainda tivemos a empreitada de ir resgatar meu caderninho que tinha ficado na Lan House no dia anterior. Saímos de Nova Cruz e uns 40min dentro do barco já estávamos na Ilha de Itamaracá, na praia do Forte Orange. Fomos pra porta da padaria e ficamos esperando ela abrir pra tomarmos um café. Após a alimentação fomos fazer o passeio da Trilha dos Holandeses até Vila Velha. Era um percurso não muito bom para se fazer de bike, devido a areia fofa. O que nos fez empurrar quase a metade do percurso. No final, uma bela subida até chegar em Vila Velha. Valeu a pena pois na vila é bem aconchegante e possui uma vista bem bonita. Voltamos pela trilha e fomos fazer uma visita ao Projeto Peixe Boi. Visita feita, seguimos viagem pedalando rumo ao norte da Ilha até chegar a mais um rio que teríamos que atravessar pra chegarmos na Praia do Sossego. Era um pequeno rio, mas como tínhamos que atravessar as bicicletas, não podíamos fazer como alguns moradores que iam nadando. Mais uma travessia de barquinho. A Praia do Sossego era, me desculpem o termo, ducaralho!!! A maré estava baixa e o rio se espalhava pela areia formando várias piscinas. Ali ficamos curtindo e refrescando o calor como peixe bois encalhados na areia. Praia do sossego no maior sossego!!! Seguimos pedalando pela praia, aproveitando a maré baixa até o Pontal da Ilha, que é a ponta norte da Ilha. Lá, teríamos que, novamente, conseguir alguém que nos atravessasse até o outro lado e saíssemos da ilha. Chegamos ao Pontal e não tinha ninguém na beira do rio pra quem poderíamos pedir pra atravessar. Então, mais uma vez fomos pedir ajuda as pessoas nas casas próximas ao rio. Foi aí que avistamos um casal numa casa de veraneio e foi a nossa sorte pois o sujeito conhecia e tinha o telefone do Zelão, que possui um barco a vela pra atravessar as pessoas. Ligamos pra ele e logo logo ele apareceu pra atravessar a gente: primeira travessia a vela! Desembarcamos em barra da --- . Tapiamos a fome com vários cremosinhos, que aqui chamamos de chup-chup (e alguns chamam de geladinho), chips e pipocas genéricas. Carregamos as garrafinhas de água com os moradores dali e seguimos vigem subindo o morro em busca do novo lugarejo: Ponta de Pedra.

Em Ponta de Pedra resolvemos parar pra almoçar. Sentamos em um restaurante na beira da praia, e apenas umas poucas pedras nos separavam do mar. Logo que terminamos de almoçar uma chuva de vento molhou tudo nesta área do restaurante. Sorte nossa que já havíamos terminado. Começamos nos preparar para seguir na chuva. Capa de chuva nas bagagens e partimos. Segundo o dono do restaurante teríamos que chegar em Carne de Vaca até quatro e meia para pegarmos a última balsa. Tínhamos que percorrer, aproximadamente, dez quilômetros e tínhamos meia hora pra isso. Demos um gás e chegamos depois de quatro e meia, porém, as balsas eram até cinco e meia. Entramos então na última balsa pra atravessar pra Acaú, que já é no estado da Paraíba. Na balsa apenas nós e dois caras que vendiam CD nas praias com aqueles carrinhos com um super som. Diversão garantida durante a travessia: “Baaanda Açaíííí com Pimenta!!!! Daum dêêêêê auummm duuuummm!!!! Daum dêêêêê auummm duuuummm!!!” Cotovelo no chão e por ai vai!!! Kkkk..

Como chegamos a Acaú ainda era dia e nos haviam falado que Pitimbu estava a oito quilômetros, decidimos seguir até esta próxima cidade. Chegando quase ao anoitecer passamos em uma lan house pra ver se alguns dos amigos do nordeste nos haviam enviado algo sobre o final da viagem e deixamos post neste blog. Apesar do preço, decidimos pegar uma pousada (Pousada Beira Mar) pois ficamos preocupados de dormir na praia. Tomamos um rápido banho de piscina e comemos um sanduíche na rua antes de dormir. Deitei na rede narrei sozinho alguns dias de viagem pro celular enquanto o Bernardo já estava apagado no quarto.

Fotos!!

9º Dia - Recife - Nova Cruz

Acordamos mais tranquilos, não tão cedo, lavamos umas roupas e fomos na rodoviária despachar a bicicleta de Junior Infidelis, que tinha ficado na casa do Gustavo. Tudo isso só foi possível pois o Gustavo nos disponibilizou a casa, o carro e tudo mais que a gente precisou. Muito temos que agradecer a ele, valeu Guga! Deixamos a bike no Correio da rodoviária (era mais barato que o frete de ônibus) e voltamos. Chegamos na casa do Gustavo quase uma da tarde, agilizamos de arrumar as coisas logo, batemos um rango experto feito pela D. Jô na companhia do irmão do Gustavo. Partimos.

Seguimos pela beira-mar da Praia de Boa Viagem querendo chegar ainda neste mesmo dia em Maria Farinha. Se conseguíssemos atravessar para a Ilha de Itamaracá neste mesmo dia, ótimo, senão, passaríamos a noite em Maria Farinha mesmo. No caminho, conhecemos o centro histórico de Recife (marco zero e tudo mais) e fomos até Olinda. Em Olinda nos disseram para visitar o centro histórico também (ladeiras a vista). Subimos as ladeiras lembrando o tanto que as construções desta cidade parecem com nossas cidades históricas de Minas, porém, com vista para o mar. Aproveitamos pra comprar umas lembranças e aceleramos os pedais para chegar em Maria Farinha. Chegamos ali a noite já e fomos direto pra balsa. Mais uma que estava estragada! Todas que vimos, até este momento, não estavam funcionando. Esta balsa, levaria a gente até Nova Cruz, que fica do outro lado do rio. Atravessamos no barquinho do Beto, o qual não animou de levar a gente até a Ilha, o que desencadeou uma série de zuação por parte da galera que tava lá com ele: “Tá com medo!! Kkkk”. Em Nova Cruz, nos indicaram pra procurar o Fá, que talvez ele animasse de levar a gente naquela hora. Achamos o Fá e ele não animou. Vários motivos, sendo o maior deles que a maré estava subindo o que tornava a travessia difícil e perigosa pra noite. Ele arrumou um lugar pra acampar na área de um bar ao lado do rio. Enquanto esperávamos o dono do bar pra abrir pra gente, lanchamos um sanduíche na vendinha que tinha por ali e fomos na Lan House rapidinho. O hotel desta noite era um área coberta ao lado do rio, com sanitário e local de banho (o rio). Armamos a barraca ao lado da mesa de sinuca e por ali dormimos junto aos pernilongos.

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8º Dia: Gamboa (P.de Galinhas) - Recife

Acordamos bem cedinho com um belo nascer de sol. Tomamos um café reforçado (mingal de maizena com granola) e esperamos o primeiro pescador passar pra pedir pra atravessar dois ciclistas ilhados pro outro lado. Por sorte, passou o mesmo pescador que encontramos no dia anterior. Ele perguntou se tínhamos dormido lá e falou que atravessava a gente, mas que ele ia buscar a jangada do outro lado ainda. Ok, ficamos esperando arrumando as pressas as coisas. Logo ele apareceu com a jangada e nos fomos atravessar. Na primeira tentativa, colocamos as duas bikes e nos três, mas já na saída vimos a impossibilidade de fazermos o trajeto com essa carga. A jangadinha, alguém ou alguma bike afundaria no primeiro metro de travessia. Foi ai que eu desci e ele foi levar o Bernardo primeiro e voltaria pra me atravessar. O Bernardo foi em pé, mas eu não tive essa coragem toda pois a jangada era bem pequena e balançava bastante, alem de ficar quase na altura d’água. Após uma hora neste processo, chegamos com vida lado, graças ao seu Edson. Estávamos agora na área portuária do Porto de Suape, algo que não é permitido. Pedalamos até pegar uma estrada que nos levou em direção a saída do porto. Não tivemos problema, ninguém parou a gente. Pegamos uma estrada de asfalto que dava a volta no porto e nos levava até Gaibú. Acredito eu que esse trecho foi o mais perigoso devido ao intenso tráfego. Paramos ao lado de um sacolão em Gaibú e complementamos o café com umas frutas fresquinhas. Seguimos então pedalando por belos morros que dão acesso a Praia de Calhetas. Valeu a pena o esforço pois esta é uma das praias mais belas de todo o percurso. São duas pequenas praias que juntas formam um coração. Tem área pra banho e pra mergulho. Ficamos ali no Bar do Arthur aproveitando todos esses atrativos durante a tarde e tomando uma cervejinha com porçõezinhas. Voltamos pelos morros, dos quais a vista nos permite vislumbrar Calhetas e outras praias do outro lado e a cidade de Recife bem ao fundo. Descemos até a praia de Gaibú e seguimos pela estrada beira praia pelas praias seguintes (enseada, ETc..) até a pedra do Xaréu, onde entramos pra conhecer e tirar umas fotos. Como pretendíamos chegar a Recife neste mesmo dia, seguimos viagem forte nos pedais. Passamos por estrada em obras e grandes resorts em construção na beira da praia até chegarmos a ponte. Esta ponte, ligará Barra da Jangada, já na área urbana de Recife, ao litoral sul, porém não estava em funcionamento ainda. Era possível dois ciclistas passarem tranquilamente, mas o chefe da obra não permitiu. Tivemos que chamar do outro lado do rio pra que um cara viesse em sua jagadinha atravessar a gente. Para embarcar, tivemos que descer um barranco de areia de três metros de altura com as bikes. Tivemos que atravessar um de cada vez novamente. Sucesso mais uma vez. Trocamos uma idéia com um pessoal que estava do outro lado do rio e seguimos viagem já pela zona urbana de Recife. Caímos na beira-mar no início da Praia de Boa Viagem, que vai até a casa do Gustavo, onde passaríamos a noite. Chegamos bem cansados após um dia de 60 km de pedal. Descemos com as coisas, fomos em um lava-jato próximo dar um trato (ou um jato) nas magrelas antes de tratar do nosso corpo. Bicicletas limpas e lubrificadas fomos nos limpar e alimentar. Aproveitamos enquanto a pizza não chegava para atualizar esse blog e mandar alguns emails. A pizza chegou, comemos quase dormindo, e dormimos após comer. Uma noite tão confortável que até ar condicionado tínhamos.

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7º dia: A-Ver-o-Mar - Porto de Galinhas

Acordamos em A-Ver-o-Mar e fomos tomar um café-da-manhã na Pousada Estrela-do-Mar. Alimentação feita fomos dar um trato nas magrelas antes de seguir viagem. Gastamos ali mais de hora limpando, lubrificando e ajeitando algumas coisinhas nos nossos veículos. Durante esse período tivemos a companhia do Vitor, funcionário da lanchonete de frente a pousada, o qual nos encheu um pouco a cabeça com papos e histórias de caráter religiosoevangélico.

Saímos de A-Ver-o-Mar até ..., lugarejozinho de onde nos pegamos um barco (na verdade uma pequena jangada puxada por um barco maior) para mais uma travessia de rio até o condomínio na praia de Toquinho. Era um condomínio fechado, de grandes mansões povoadas (estilo Jurerê), naquele momento, apenas pelos caseiros, jardineiros e outros empregados que ali cuidavam de deixar tudo bem limpo, bonito e funcionando. Pegamos uma estrada de terra, seguindo depois por um asfalto até a entrada de Porto de Galinhas. Esta estrada que leva a Porto estava em obras, situação que não fica muito legal de pedalar. Mesmo assim, nós mandamos ver no pedal até chegar ao centro turístico da região. Seguimos para Maracaípe, uma das praias de P. de Galinhas, a fim de procurar Nequinho e Cris (donos do “Bar da Cris”, famoso em Porto) por indicação de Juca, o pescador que mais nos ajudou no dia da queda de Junior Infidelis. Paramos no primeiro bar que estava aberto desta praia, tomamos uma água de cocô e perguntamos por Nequinho, mas logo descobrimos que Cris era bem mais famosa que o marido. Nos informaram que o bar deles estava fechado, mas que poderíamos procurá-los na casa deles. Ok, lá fomos nós conhecer mais gente hospitaleira após um dia de almoço em família. Chegamos lá, estavam na varanda da casa e nos convidaram a entrar e tomar uma cervejinha. Pouco depois de sentarmos pra uma conversa já nos vieram com pratos de almoço prontos: charque, peixe, arroz feijão, etc. Não tivemos como recusar, nem queríamos! Fomos convidados até para dar uma dormida após o almoço e só não ficamos pra descançar pois tínhamos que pedalar um bucado ainda naquele dia. Deu pra bater uns bons papos com aquela gente que nos acolheu por uma parte da tarde em casa com muito carinho e fartura de alimentos! Seguimos fazendo a digestão até o centro de Porto de Galinhas, onde tomamos um banho de praia rápido pra seguir viagem. Pedalamos até a Praia de Gamboa, onde nos disseram que poderia haver alguém pra atravessar a gente pro outro lado de mais um rio. No caminho passamos por traz dos grandes e famosos resorts de P. de Galinhas, na praia de Muro Alto. Chegamos em Gambou, quase escurecendo já, havia um pescador apenas, que já estava de partida colocando o motorzinho do seu barco encima da mobilete. Ele disse que já era tarde, que não dava pra atravessar a gente, mas falou pra acenarmos para o outro lado do rio que poderia aparecer alguém pra atravessar. Fizemos isso, mas não surtiu efeito. Conclusão, teríamos que passar a noite por ali e atravessar tentar atravessar no outro dia. Um problema, tínhamos apenas uma garrafa de água (800ml) potável pra beber, e cozinhar. Não era possível. Voltamos pela praia, empurrando as bikes pois a areia tava bem fofa, por um quilometro mais ou menos até o primeiro resort. Ali, com o vigilante da primeira barraquinha da praia conseguimos encher as garrafinhas com água potável pra passarmos a noite. Voltamos e acampamos na praia de Gamboa, em frente ao Porto de Suape do outro lado do Rio. Era até bonito ver a iluminação do porto a noite. Montamos as barracas, tomamos um banho de água salobra e fizemos um miojo de 50 minutos pra alimentar. Apagamos após aquele dia bem cansativo (lembrando que a tal rede de selva do Sr. Bernardo já tinha sido abandonada a um tempo. Ô trem chato e demorado de armar!).

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6º Dia - Tamandaré - A Ver o Mar

Decidimos retornar de Recife pra Tamandaré com o Mauro, sujeito que fez o carreto das coisas, e deixamos o Juninho no conforto da casa do Gustavo Grillo (nosso brother que ajudou mundo e aparecerá em outros posts. Chegando a Tamandaré, ainda na camionete, o Mauro mostrou rapidamente a cidade pra gente (com direito a um beijinho da Globeleza de Tamandaré, Niniiiinha) e nos deixou na entrada da Praia dos Carneiros, a mais famosa da região. Demos uma volta pedalando pela praia e começamos a procurar uma forma de atravessar para o outro lado do Rio Formoso pra seguirmos a viagem. Já era fim de tarde, não havíamos andado nenhum km de bike, e as embarcações para atravessar já eram escassas, diziam. Sendo assim começamos a seguir na praia (seguindo pra dentro do rio) perguntando pras pessoas e nas casas como conseguiríamos atravessar. Foi aí que conhecemos um casal super gente fina e hospitaleiro. Apos um dia de bebedeira e churrasco Baby e D. Luciene (lú), já em estado alcoólico avançado, nos convidaram ao quintal, colocaram um forrobolero, nos ofereceram caju, pitu e outras coisas mais. E nos acalmaram dizendo: “Não se preocupem, em breve passa algum amigo de barco aqui e eu peço ele pra atravessarem vocês.” Nos divertimos a valer nessa meia horinha que ficamos ali de papo com eles. Como dito, passou uma embarcação e nosso amigo Baby com um assovio conseguiu que ela se aproximasse. Pediu pra nos atravessar e, de bate-pronto, já estávamos colocando as bikes no barco, agradecendo D. Lú e Baby e partindo pro outro lado do rio. O barco, que levava alguns jovens, nos deixou em um mangue próximo ao píer. Já escurecia e dalí saímos rápido para que os mosquitos não os carregassem. Começamos a pedalar pelo asfalto já estava escuro e não muito propício. Decidimos então parar no próximo local que tivesse para passar a noite. Paramos em A-Ver-o-Mar, um lugarejozinho entre a Praia de Guadalupe e a Praia do Gamela e que não constava no mapa, mas que foi ótimo para aquele dia. Jantamos na Pousada e Restaurante Estrela do Mar. O Jorge, dono da pousada, permitiu que eu tomasse banho na ducha externa (detalhe, Bernardo não tomou banho – 2º dia seguido) e guardássemos as bicicletas no interior da pousada. Acampamos então na pracinha em frente a pousada, sub a iluminação de um poste de luz fraca e amarelada. Muito boa e tranquila a noite passada ali.

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quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

5º Dia - Maragogi - Tamandaré

Recaptulando. Dormimos em Maragogi na Pousada São Francisco, acordamos com a dona da pousada, Dona Simone. Uma mãezona nata. As 6:30 da matina ela bate na janela com todas as forças gritando: “Criaaaaaças!!!! O barco não espera não!!!! Vamo acordaaaar”. E nós levantamos correndo para o passeio de Barco já programado no dia anterior com o Paulo (dono de um restaurante e da empresa de turismo das rurigs). Como toda mãe tem razão, D. Simone tava certa e o barco tinha deixado a gente pra traz. Mas, o Paulão agilizou pra gente a sua lancha, e levou-nos até o barco para que pudéssemos fazer o passeio. Curtimos as pescinas naturais de Maragogi. É muito bonito, mas, nada que justifique a grande publicidade que existe em torno desta atração vinculada a Maceió. Vimos coisas interessantes até. O passeio durou até umas 9 da manhã, e voltamos junto com o grupo no catamaran. Retornando a pousada, fomos ao encontro de D. Simone, que estava tomando um wiskzinho, que, segundo ela, é para o seu problema de joelho. Fomos dizer que íamos apenas trocar de roupa, rapidinho, sem tomar banho mesmo, e já veio o xingamento: “Que história é essa de tomar café sem tomar banho???? Vai tomar banho sim meninos!!!!”. “Mas não D. Simone, nós já tomamos uma ducha!!”. “Ah é é?? Então ta bom. Vá lá e vorte logo!”. Figurassa. Pedimos umas informações do caminho pra ela. Perguntamos se recife é perigoso. “Quê???? Minha terra???? Têm nada disso não!! Vão passar em Recife sim meus fioo!!!”

Depois disso tudo, e após comprar mais protetor solar em Maragogi, colocamos os pneus na estrada. Primeira parada pra comer cocada, caju e tomar água nas bancas de beira da estrada. Cruzamos a primeira fronteira de estado (Alagoas-Pernambuco) e entramos na primeira cidade pernambucana: São José da Coroa Grande. Informações, fotos e seguimos por uma estrada de terra bem ruim de pedalar até Várzea do Una, lugarejo ao lado do encontro do Rio Una com o mar. Almoçamos filé de aratú (marisco) e polvo fazendo amigos por ali. Tive que arrumar meu bagageiro porque soltou parafusos durante as costelas da estrada. “Foi caro mai foi bão” – Bernardo. Bê e Juninho foram no Museu de Várzea do Una, eu não fui de preguiça. Neste pouco tempo que passamos nesse pequeno povoado, conhecemos 3 mulekes, Wilkeson, Rickson e Joilson que ficaram super nossos amigos e ajudou em tudo que precisávamos por ali. Fizemos algumas compras, e uma longa negociação com Bil, barqueiro que iria nos atravessar ao outro lado do rio (por, finalmente, 15$ cada) para seguirmos viagem. Foi uma bela travessia. Bil nos levou a um dos pontos turísticos da região, a pedra grande, e o fim de tarde completava o cenário. A próxima praia, onde deveríamos pedalar, era praticamente inviável para pratica do ciclismo. Quase nenhum espaço de areia dura, e muita areia com pequenos pedaços de concha. Oque nos fez empurrar as magrelas por quase toda a sua extensão. Na curva da praia paramos para fazer a limpeza das bikes a partir daí conseguimos pedalar na maré baixa pela Praia do Porto. Era um bom lugar de se acampar, e já escurecia. Mas, resolvemos seguir pois o dia tinha rendido pouco devido a manhã estada em Maragogi. Na ponta da Praia existe a chamada ‘ilha de um coqueiro só’: um braço de areia e pedras bem pequeno que possui apenas um coqueiro, mas que durante a maré baixa, deixa de ser uma “ilha”. Seguimos em diante pela praia, já em meio a escuridão da noite que tomou conta. Lanterninhas a postos iluminando a areia batida. Passamos de frente ao lugarejo .... e de uma casa/bangalô onde havia algumas pessoas. Queríamos continuar e prosseguimos sem parar neste locais, afim de alcançar Tamandaré ainda neste dia. Mas, o rio logo a frente fez com que desistíssemos de continuar. Resolvemos voltar e perguntar no bangalô onde poderíamos dormir. Foi ai que conhecemos os pescadores que ali estavam passando a noite. Eles disseram que aquilo era uma casa em construção que havia sido embargada pelo IBAMA. Eles conheciam o caseiro e utilizavam a estrutura (as cobertas e iluminação, nada mais) para passar a noite. A gente foi convidado a dormir por ali, ou se fosse de nossa preferência, nas cabanas deles logo ao lado dessas construções. Desistimos de acampar próximos as cabanas pois fomos atacados pelas formigas que ali se aproveitavam da nojeira que eles deixavam. Garrafas de Pitu vazias se acumulavam ao canto da cabana. Decidimos então, armar acampamento no bangalô mesmo, de frente ao mar. Após o miojo pacientemente feito com um ebulidor 110 numa tomada 220, regado a bom bate papo com os pescadores (alguns bem bêbados de Pitu), tomamos um banho de caneco ali na caixa d’agua colocada sobre a areia ao lado do “cômodo” de estar deles. Alimentados e limpos, fomos nos recolher. Eu já estava deitado na barraca e o Bernardo montava a sua eternamente montavel rede de selva quando aconteceu a única coisa que considero que deu errado na viagem! Já bem narrada no post “Um dia de sorte”. Sorte? Sim, sorte. A única coisa que deu errado foi a queda. O resto, por muita sorte, deu muito bem certo!